POLÊMICA: PF vê depósito da UGT como indício de propina
- 6 de jun. de 2018
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Investigadores rastrearam cheque de R$ 300 mil em conta de entidade que pleiteava registro; dinheiro teria sido repassado a servidor no Ministério do Trabalho

A Operação Registro Espúrio aponta indícios de que um depósito de R$ 300 mil feito pela União Geral dos Trabalhadores (UGT) na conta de um sindicato teria sido utilizado para o pagamento de propina a servidores do Ministério do Trabalho. O objetivo do repasse seria a obtenção de registro do sindicato dos empregados em restaurantes e serviços de São Paulo e região, o Sintraresp. Essa é a primeira ligação que os investigadores fazem da UGT com suposto pagamento de propina e apontam o presidente da entidade, Ricardo Patah, como o “responsável pela disponibilização dos recursos”.
Deflagrada pela Polícia Federal na quarta-feira passada, 30, a Registro Espúrio investiga suposta organização criminosa formada por políticos, lobistas, dirigentes de sindicatos e funcionários públicos que atuavam na negociação para liberar registro sindical pelo ministério.
Terceira maior central sindical do País, a UGT foi fundada em 2007, após a fusão da Central Geral dos Trabalhadores (CGT), da Social Democracia Sindical (SDS) e da Central Autônoma dos Trabalhadores (CAT). Patah é presidente da UGT desde então. Ajudou a fundar a Força Sindical em 1991 e está filiado ao PSD desde a fundação do partido, em 2011.
Extratos. Ao analisar os extratos bancários do Sintraresp, a PF encontrou registro do depósito de R$ 300 mil da UGT, no dia 15 de maio de 2015. O valor foi sacado em espécie dois dias depois. Os investigadores apontam que essas movimentações foram feitas menos de dois meses após o Sintraresp obter o registro sindical, em um processo que durou quatro meses, enquanto outros levam anos.
“Considerando todo o cenário apresentado, há fortes indícios de que a quantia foi utilizada para o pagamento de propina a Leonardo Cabral e a Carlos Lacerda, com efetiva participação de Ricardo Patah, responsável pela disponibilização dos recursos”, afirmou a PF no pedido que baseou a operação.
O ex-secretário de Relações de Trabalho Carlos Lacerda e seu braço direito no ministério, Leonardo Cabral, foram presos preventivamente. Patah teve a prisão solicitada pela PF e pela Procuradoria-Geral da República, mas o pedido foi negado pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal.





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